ULS São José realiza cirurgia inédita no SNS para remover tumor na base do crânio

ULS São José realiza cirurgia inédita no SNS para remover tumor na base do crânio

Procedimento minimamente invasivo permitiu retirar uma lesão com cerca de sete centímetros numa das zonas de acesso mais difícil do corpo humano. O doente teve alta cinco dias depois, totalmente autónomo.

O Serviço de Neurocirurgia da Unidade Local de Saúde (ULS) São José, em Lisboa, realizou este mês uma intervenção inédita no Serviço Nacional de Saúde: a remoção de um tumor da base do crânio através de uma abordagem minimamente invasiva. A cirurgia prolongou-se por cerca de dez horas e foi liderada pelo neurocirurgião Pedro Sousa Barros.

A técnica utilizada, denominada mini-transpetrosa combinada, foi aplicada num tumor localizado na pirâmide petrosa do osso temporal, uma região particularmente complexa pela proximidade a estruturas neurológicas críticas. Ao permitir um acesso mais direto e preciso através do osso temporal, esta abordagem reduz a necessidade de afastar o tecido cerebral e protege áreas de elevada importância funcional.

De acordo com a ULS São José, o procedimento possibilitou a remoção integral da lesão, com menor manipulação do cérebro e sem registo de complicações.

Uma alternativa menos invasiva e mais eficaz

A relevância desta intervenção torna-se clara quando comparada com as opções disponíveis até agora. A técnica clássica exigiria, neste caso, uma cirurgia mais agressiva e com impacto estético significativo. Já as abordagens mais comuns estão frequentemente associadas à necessidade de várias intervenções e a menores taxas de remoção completa do tumor.

A recuperação do doente reflete essa diferença: recebeu alta ao fim de cinco dias, sem qualquer dependência.

Inovação ao serviço dos casos mais difíceis

Para Pedro Roque, diretor do Serviço de Neurocirurgia, este avanço representa uma nova ferramenta para tratar algumas das patologias mais desafiantes da especialidade. O responsável sublinha ainda que o resultado demonstra o empenho da equipa de base do crânio em acompanhar o que de mais inovador se faz a nível internacional.

Um marco que reforça a capacidade técnica do SNS e abre novas perspetivas para doentes com tumores em zonas até agora de difícil tratamento.

 

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