Conhecer o tipo e o estadio do tumor pode ajudá-la a compreender melhor o seu diagnóstico e a participar de forma mais informada nas decisões sobre o tratamento
O que significa o estadio do cancro da mama?
O cancro da mama pode ser dividido em duas grandes categorias:
-
Não invasivo – quando está limitado aos ductos ou lóbulos da mama, sem invadir o tecido mamário saudável, como acontece no carcinoma in situ (estadio 0).1
- Invasivo – quando as células tumorais se estendem para o tecido mamário envolvente e podem atingir outras estruturas.1
O estadio ajuda a descrever a extensão da doença, mas não depende apenas do tamanho do tumor. Para o determinar, a equipa de saúde considera várias características, incluindo o tamanho e a localização do tumor, o envolvimento dos gânglios linfáticos e a existência, ou não, de doença noutros órgãos. Em alguns casos, são também consideradas características biológicas do tumor.1,2

Sistema de classificação TNM
O sistema TNM é uma das ferramentas utilizadas para descrever a extensão do cancro da mama. Avalia:1,2
- T (tumor): o tamanho e a extensão do tumor na mama ou em estruturas próximas.
- N (gânglios linfáticos): se existem gânglios linfáticos regionais envolvidos e qual a extensão desse envolvimento.
- M (metástases): se existe disseminação da doença para órgãos à distância.
A combinação destas informações contribui para determinar o estadio. O estadio é apenas uma parte da avaliação: o grau do tumor e os biomarcadores, como os recetores hormonais e o HER2, também podem ser relevantes para o prognóstico e para o planeamento do tratamento.2,3

Tipos de cancro da mama
Além do estadio, os tumores apresentam características biológicas que ajudam a perceber como a doença se comporta e quais os tratamentos que poderão ser mais adequados em cada situação.3
- Tumores com recetores hormonais positivos (ER e/ou PgR positivos)
As células tumorais apresentam recetores para estrogénio e/ou progesterona. Estes tumores podem beneficiar de terapêutica hormonal.3
- Tumores HER2 positivos
As células apresentam níveis elevados da proteína HER2 ou alterações no respetivo gene, o que pode favorecer o crescimento tumoral. Existem terapias dirigidas ao HER2.3,4
- Tumores triplo negativos
As células não apresentam recetores de estrogénio, recetores de progesterona ou níveis elevados de HER2. As opções terapêuticas dependem do estadio e de outras características clínicas e biológicas.3,4

Estadios do cancro da mama em detalhe
As descrições seguintes são simplificadas. Dentro de cada estadio existem subcategorias, e a classificação final resulta da combinação de diferentes informações sobre o tumor, os gânglios linfáticos, a presença de metástases e, no estadiamento prognóstico, outros fatores biológicos.1,2
- Estadio 0
Corresponde a doença não invasiva, limitada ao local onde se iniciou, como o carcinoma ductal in situ. Não existe invasão do tecido mamário saudável.1,2
- Estadio I
Corresponde, de forma simplificada, a doença invasiva numa fase inicial e de pequena extensão. Pode existir envolvimento microscópico ou limitado dos gânglios linfáticos. Por isso, o estadio I não é definido apenas pelo tamanho do tumor.1,2
- Estadio II
Inclui diferentes combinações entre o tamanho do tumor e o envolvimento dos gânglios linfáticos regionais. O tratamento é definido de acordo com estas características e com a biologia do tumor.1,2
- Estadio III
Corresponde, de forma simplificada, a doença com maior extensão na mama, nos tecidos próximos ou nos gânglios linfáticos regionais, sem metástases à distância. O tratamento envolve habitualmente a combinação de diferentes abordagens terapêuticas.1,2
- Estadio IV
Corresponde a doença metastática, ou seja, quando existem células tumorais em órgãos à distância. O tratamento é individualizado e procura controlar a doença e os sintomas, preservando a qualidade de vida.1,2

Participar nas decisões sobre tratamento
Mesmo quando o cancro da mama é diagnosticado numa fase inicial, pode ser necessário decidir que tratamentos realizar depois da cirurgia. Estes tratamentos, designados adjuvantes, procuram reduzir o risco de a doença voltar. Para perceber quais poderão trazer benefício em cada situação, a equipa de saúde considera o estadio, o envolvimento dos gânglios, o grau e as características biológicas do tumor, eventuais testes genómicos, a idade, o estado geral de saúde e as suas preferências.5-7
A decisão deve ser partilhada. Converse com a equipa de saúde sobre o risco individual de recidiva, o benefício esperado de cada opção, os possíveis efeitos adversos, a duração do tratamento e o impacto na qualidade de vida. Participar não significa decidir sozinha: significa compreender as alternativas, colocar dúvidas e expressar o que é mais importante para si, para que o plano seja clinicamente adequado e esteja alinhado com as suas prioridades.5-7
Perguntas que pode colocar à sua equipa de saúde:
-
Qual é o meu risco individual de recidiva e que características do tumor influenciam esse risco?
- Que tratamentos adicionais podem reduzir esse risco no meu caso e qual é o benefício esperado de cada opção?
- Existem testes de biomarcadores ou testes genómicos que possam ajudar a orientar a decisão?
- Quais são os efeitos adversos, a duração e o impacto de cada tratamento na minha vida diária?
- Como serão acompanhados a eficácia do tratamento, os efeitos adversos e a adesão ao plano terapêutico?
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Descarregar PDFNão existe uma opção igual para todas as mulheres. Dependendo do subtipo e do risco individual, o tratamento adjuvante pode incluir radioterapia, terapêutica hormonal, quimioterapia e/ou terapias dirigidas. Esta avaliação ajuda a perceber quais os tratamentos que podem trazer benefício em cada situação e a evitar terapêuticas que provavelmente não acrescentariam benefício relevante. Por isso, mesmo quando o diagnóstico é feito numa fase inicial, podem existir decisões importantes a tomar depois da cirurgia.5-7
Uma mensagem importante
"Conhecer o tipo e o estadio do tumor ajuda a compreender melhor o percurso, mas não define, por si só, o seu futuro."
Cada diagnóstico é único. O estadio é uma parte importante da avaliação, mas não é a única. As características biológicas do tumor, o estado geral de saúde e as preferências de cada pessoa também são consideradas na definição do plano de tratamento.
Este conteúdo tem fins exclusivamente informativos e de literacia em saúde e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o aconselhamento de um profissional de saúde. As decisões sobre tratamentos devem ser tomadas em conjunto com a equipa que acompanha cada mulher.
Referências bibliográficas
1. European Society for Medical Oncology (ESMO). Breast cancer: an ESMO guide for patients. Patient information based on ESMO Clinical Practice Guidelines. Disponível em: https://dam.esmo.org/image/upload/v1742457669/EN_%7C_Breast_Cancer:_Guide_for_Patients.pdf. Consultado em setembro de 2026.
2. National Cancer Institute. TNM staging for breast cancer. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/breast/stages/tnm-staging-system. Consultado em setembro de 2026.
3. National Cancer Institute. Tests for breast cancer biomarkers. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/breast/diagnosis/breast-cancer-biomarker-tests. Consultado em setembro de 2026.
4. National Cancer Institute. Targeted therapy for breast cancer. Disponível em: https://www.cancer.gov/types/breast/treatment/targeted-therapy. Consultado em setembro de 2026.
5. Loibl S, André F, Bachelot T, et al. Early breast cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol. 2024;35(2):159–182. doi:10.1016/j.annonc.2023.11.016.
6. Henry NL, Somerfield MR, Abramson VG, et al. Role of patient and disease factors in adjuvant systemic therapy decision making for early-stage, operable breast cancer: update of the ASCO endorsement of the Cancer Care Ontario guideline. J Clin Oncol. 2019;37(22):1965–1977. doi:10.1200/JCO.19.00948.
7. Burstein HJ, Curigliano G, Gnant M, et al. Tailoring treatment to cancer risk and patient preference: the 2025 St Gallen International Breast Cancer Consensus Statement on individualizing therapy for patients with early breast cancer. Ann Oncol. 2025;36(12):1433–1446. doi:10.1016/j.annonc.2025.09.007.
FA-11804569/10/2026
