Portugal acolhe a primeira edição europeia do encontro que coloca as mulheres no centro da oncologia do melanoma

Portugal acolhe a primeira edição europeia do encontro que coloca as mulheres no centro da oncologia do melanoma

Trinta médicas especialistas em melanoma, vindas de vários países europeus, reuniram-se na Costa da Caparica num encontro inédito que junta ciência, carreira e a relação com o doente.

A oncologia europeia viveu um momento marcante em território português. A Costa da Caparica recebeu a primeira edição europeia do WIM (Women in Melanoma Europe), um encontro que reuniu 30 médicas especializadas em melanoma durante três dias de trabalho, partilha e reflexão conjunta.

Uma década de experiência que chega agora à Europa

O WIM é uma iniciativa da AIM at Melanoma Foundation, organização norte-americana que desenvolve este programa nos Estados Unidos há dez anos, com resultados consistentes. Trazer o encontro para a Europa era um sonho de Val Guild, fundadora da AIM at Melanoma, que faleceu antes de o ver concretizado. Sam Guild, atual presidente da fundação, deu continuidade a essa vontade.

Foi a Liga os Pontos que aceitou o desafio de facilitar e organizar esta primeira edição europeia e de a trazer para Portugal. Um projeto exigente, que implicou articular agendas internacionais, reunir oradoras de referência e criar condições para um diálogo aberto entre profissionais de diferentes sistemas de saúde.

Quem é a Liga os Pontos

A Liga os Pontos é uma associação de doentes que existe para dar voz, informação e apoio a quem vive com o diagnóstico de melanoma e a quem o acompanha. Está disponível para esclarecer, orientar e apoiar qualquer pessoa que procure informação ou acompanhamento sobre o melanoma, em qualquer fase da doença.

O ponto de partida é claro: a informação certa, no momento certo, faz diferença. O melanoma é um tumor relativamente raro, mas está na origem de cerca de 80% das mortes por cancro cutâneo, e quando é detetado cedo cura-se em mais de 90% dos casos apenas com cirurgia. Por isso, a associação disponibiliza conteúdos acessíveis e rigorosos sobre o que é o melanoma, como identificá-lo, os seus estádios e as opções de tratamento.

A Liga os Pontos assume também o papel de ponte entre doentes e comunidade médica. Esteve presente na 2.ª Reunião Melanoma e Cancro Cutâneo, organizada pelo GEM&CC, onde apresentou o seu trabalho e os próximos passos, com uma convicção firme: é a sinergia entre a excelência médica e a experiência de quem vive a doença que gera impacto real na vida dos doentes. Essa visão estende-se além-fronteiras, com a presença da associação na rede europeia de Cancer Mission Hubs, financiada pela União Europeia, e a parceria com a AIM at Melanoma, que tornou possível trazer o WIM para Portugal.

Um encontro diferente dos congressos habituais

O que distingue o WIM é a sua agenda. A ciência está presente, mas o encontro vai mais longe e abre espaço a uma discussão sobre o papel da mulher na medicina e na investigação. O programa assenta em quatro pilares:

  1. Melhorar os resultados dos doentes, com um foco reforçado na relação entre médico e doente.
  2. Partilhar boas práticas na comunicação com doentes com melanoma.
  3. Apoiar as carreiras académicas de jovens médicas com interesse na investigação.
  4. Promover relações de mentoria entre mulheres que trabalham nesta área.

São temas que raramente encontram lugar nos grandes encontros científicos, mas que têm impacto direto na qualidade dos cuidados e na construção de carreiras sólidas e sustentáveis.

Cinco especialistas, cinco perspetivas

As sessões foram conduzidas por cinco especialistas de diferentes países europeus, cada uma com um tema central para a prática clínica e para a vida profissional:

  • Dra. Ana Arance (Espanha): o que corre mal nos ensaios clínicos de fase 3 antes de o primeiro doente ser incluído.
  • Dra. Jessica Hassel (Alemanha): a decisão partilhada entre médico e doente na prática clínica.
  • Dra. Inês Pires da Silva (Portugal): o esgotamento e a sustentabilidade de quem cuida.
  • Dra. Heather Shaw (Reino Unido): as barreiras silenciosas que as mulheres enfrentam nas carreiras científicas.
  • Dra. Inge Marie Svane (Dinamarca): o papel dos ensaios iniciados por investigadores num panorama cada vez mais dominado pela indústria.

O encontro contou ainda com a presença especial da Dra. Maria José Passos, convidada de honra portuguesa e uma referência para várias gerações de oncologistas no nosso país.

Um primeiro passo com futuro

A adesão das participantes e a qualidade das discussões superaram as expectativas. O balanço é de tal forma positivo que a próxima edição já está a ser preparada para 2027.

Para a Liga os Pontos, este encontro traduz aquilo em que acredita: criar pontes entre pessoas, conhecimento e instituições, com rigor e com propósito. Ter sido a partir de Portugal que o WIM chegou à Europa é motivo de orgulho e, acima de tudo, um compromisso para continuar a desenvolver projetos que acrescentem valor à comunidade médica e aos doentes.


Voltar para o blogue