Vozes de um Cancro Esquecido - A importância da Saúde Mental durante a jornada oncológica

Vozes de um Cancro Esquecido - A importância da Saúde Mental durante a jornada oncológica

Vozes de um Cancro Esquecido” é um podcast recém-lançado, sobre Cancro e Saúde Mental, que conta a história de duas doentes com o cancro ginecológico mais letal em Portugal: o Cancro do Ovário. Ao longo dos 3 episódios deixam claro que, a jornada oncológica afeta a doente além da saúde física. A Dra. Susana Almeida participa neste podcast e evidência a importância do apoio de um profissional especializado nesta fase.

 

 

Qual a importância do acompanhamento psicológico em doentes oncológicas?

As doentes oncológicas - e aqui falamos de cancro do ovário - deveriam ter acesso a acompanhamento psicológico. Cerca de metade das mulheres que recebem um diagnóstico destes vai precisar de apoio psicossocial, na facilitação da adaptação ao processo de doença. Este tem múltiplas dimensões potencialmente abaladas, como a capacidade reprodutiva, questões de identidade e imagem, consequências dos tratamentos com eventual afectação da vida íntima, sexual e parental. Transversalmente, emoções negativas inevitáveis e intermitentes de revolta e medo, incluindo o medo de uma morte antecipada e o medo do sofrimento. A revolta do “porquê eu?” e a frustração de sonhos adiados. Este sentir e os pensamentos que se podem associar, tornam a vivência do diagnóstico e tratamentos complexa e dependente de muitas variáveis.

 

Como se compara o impacto psicológico de uma recidiva ao do diagnóstico inicial?

O processo do diagnóstico inicial passa por tudo o que referi anteriormente; na recidiva é uma necessidade acrescida de procurar sentido e esperança quando ambos se tornam mais difíceis de encontrar. Implica aceitação muitas vezes dolorosa de uma realidade diferente, de um entendimento de como viver com a máxima qualidade de vida possível, um processo agora percebido como crónico, mas com um potencial de desfecho que encurta o que qualquer mulher desejaria ou sonha para seu horizonte. Conciliar estes novos medos com as vivências testemunhadas no processo de tratamento (todas as outras mulheres que se vão conhecendo; as suas histórias de coragem ou de angústia) e a incerteza se poderão cumprir o acompanhamento dos filhos ou netos; de projectos pessoais, profissionais; a consciência do adiar. Na recidiva, a ajuda é, por tudo isto, mais premente e com necessidade de trabalho ágil e articulado entre todos: doente; cuidadores; família; enfermagem e equipa psicossocial (serviço social e psicologia); nutrição; idealmente conduzida pelos oncologistas e com envolvimento dos médicos das especialidades que contribuem nos cuidados.

 

Que conselhos pode dar a quem queira trabalhar a autoestima e confiança numa situação semelhante?

Para as doentes, esta avaliação tem de ser regular e deveria suceder ao longo dos vários momentos da jornada.

Além disso, preocupa-nos a saúde dos cuidadores informais, que deverão ser encorajados ao auto-cuidado e a apoio individual sempre que necessário, e não menos nos preocupa a do cuidador formal, seja médico, psicólogo, enfermeiro ou assistente social. Os indicadores piores de saúde mental e física, precipitados por fadiga de compaixão ou com evolução para quadros de burnout são muito conhecidos de todos. Os médicos e profissionais devem manter os seus recursos de bem-estar individuais equilibrados (tempo para a vida pessoal; hobbies; exercício físico; descanso e qualidade de sono; alimentação) e bater-se por terem disponíveis os recursos necessários às boas práticas da sua profissão (tais como tempo de consulta suficiente e jornadas de trabalho equilibradas sem acumular de turnos e horas extraordinárias; com direções alinhadas).

Acompanhe o podcast “Vozes de um Cancro Esquecido”, já disponível nas plataformas habituais.

 Este é um projeto com o apoio da GSK.

Para mais informações, consulte o seu médico.

 

NP-PT-AOU-JRNA-250001  01/2025

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