Regresso ao trabalho após cancro da mama: SPS reforça apelo à participação num estudo que já reúne mais de 200 respostas

Regresso ao trabalho após cancro da mama: SPS reforça apelo à participação num estudo que já reúne mais de 200 respostas

 

O regresso ao trabalho depois de um diagnóstico de cancro da mama é uma etapa que envolve muito mais do que a recuperação clínica. Envolve reorganização pessoal, ajustes profissionais e, frequentemente, negociações silenciosas com entidades patronais e colegas que nem sempre compreendem o que esta fase representa. É precisamente esta realidade que o Grupo de Trabalho de Reintegração Social e Profissional da Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) quer agora documentar com rigor.

Desde maio que está a decorrer o "Questionário de Reinserção Profissional após Cancro da Mama", uma iniciativa que já reuniu mais de duas centenas de contributos. Ainda assim, o Grupo de Trabalho reforça o apelo à participação, com o objetivo de alargar a amostra e garantir um retrato mais fiel da situação em Portugal. O questionário permanece aberto até ao início de setembro.

O que está em avaliação

A iniciativa procura compreender, de forma aprofundada, o panorama laboral atual de doentes e sobreviventes de cancro da mama. Entre as dimensões analisadas estão a experiência concreta do regresso ao trabalho, o impacto psicológico associado a este processo e a qualidade de vida no contexto profissional.

O questionário dá também atenção às condições organizacionais que influenciam esta reintegração, nomeadamente a flexibilidade de horários, a possibilidade de teletrabalho, os ajustes ergonómicos necessários e a qualidade da relação estabelecida com chefias e colegas de equipa.

Dados que sustentam mudança

Susana Sousa e Mónica Nave, médicas oncologistas e coordenadoras do Grupo de Trabalho da SPS, sublinham a urgência deste levantamento. Segundo as especialistas, o propósito do questionário é claro: ir além das percepções instaladas e aferir, com dados concretos, como a reintegração profissional destas doentes acontece efetivamente no terreno.

A ambição da equipa vai além do diagnóstico da situação atual. O objetivo é que os resultados obtidos sirvam de vetor fiável junto de instituições e entidades competentes, orientando as decisões e melhorias que este tema exige.

Este tipo de trabalho reforça algo que continuamos a defender nesta revista: a mudança sustentável começa sempre com informação rigorosa. Só conhecendo a realidade nacional, sem filtros nem suposições, será possível construir políticas laborais e práticas organizacionais verdadeiramente inclusivas para quem enfrenta o cancro da mama e regressa ao trabalho.

 

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