Medica AI 2026: Lisboa debate os cuidados de saúde orientados pela inteligência artificial até 2050

Medica AI 2026: Lisboa debate os cuidados de saúde orientados pela inteligência artificial até 2050

Lisboa recebe, no dia 16 de julho, a terceira e última edição da Medica AI The Conference 2026, na Fundação Champalimaud, sob o tema "Conceber cuidados de saúde orientados pela IA para 2050". A edição está esgotada e inclui ainda dois Google Medica AI Hackathons, nos dias 15 e 17 de julho, pensados para médicos e profissionais de saúde sem conhecimentos de programação.

Da adoção tecnológica à responsabilidade

Depois de, em 2025, a conferência ter questionado se os sistemas de saúde estavam prontos para a inteligência artificial, a edição de 2026 leva o debate mais além: da preparação à responsabilidade, à governação e à visão de longo prazo. À medida que a IA transforma o diagnóstico, o tratamento, a investigação e a formação em saúde em todo o mundo, a discussão deixa de se centrar na adoção tecnológica para se focar no tipo de sistema de saúde que a sociedade pretende construir até 2050.

"Quando pensamos nos cuidados de saúde em 2050, não devemos começar por perguntar do que a IA será capaz. Devemos começar por perguntar que tipo de cuidados de saúde queremos para as gerações futuras. A tecnologia só faz sentido se melhorar a vida das pessoas", afirma Pedro Gouveia, diretor médico do Laboratório de Cirurgia Digital (DSL) e coorganizador do evento.

Um programa que atravessa todo o percurso de cuidados

Estruturada em quatro sessões, a conferência aborda temas que vão da formação em IA ao impacto clínico e à transformação acelerada do setor da saúde através dos hospitais digitais. O programa reúne medicina, engenharia, política e indústria, explorando a integração da IA desde a prevenção e o diagnóstico até ao tratamento e à saúde da população, sem esquecer as implicações económicas, sociais e regulamentares.

João Santinha, colíder do DSL e coorganizador da conferência, destaca que o futuro dos cuidados de saúde necessita de bases sólidas para enfrentar desafios que se irão agravar. Nesta edição final, será explorada a criação de uma nova formação em saúde centrada na IA, o impacto crescente da investigação nos cuidados do dia a dia e o papel da tecnologia na digitalização dos hospitais, ao serviço de cuidados mais eficientes, preventivos e de melhor qualidade.

Uma viagem a 2050

A abertura estará a cargo de uma sessão conjunta entre a Sociedade Europeia de Oncologia Cirúrgica e a Sociedade Europeia de Radiologia, que transportará os participantes até 2050 para viverem um dia na prática de um radiologista e de um cirurgião do futuro. A mensagem central é clara: o desafio não está apenas em criar ferramentas de IA, mas em implementá-las de forma efetiva nos cuidados de rotina, superando obstáculos como as infraestruturas e a baixa literacia tecnológica.

Os oradores Pedro Gouveia e Regina Beets-Tan, professora da Universidade de Maastricht, membro do conselho executivo da MAASTRO e diretora científica do EIBIR, defendem que a IA irá potenciar os clínicos, e não substituí-los, melhorando a eficiência, a padronização, a precisão do diagnóstico, a integração do fluxo de trabalho e a previsão da resposta ao tratamento. A apresentação contará ainda com "Ave", uma colaboradora digital que integra simbolicamente a equipa, ilustrando a parceria entre humanos e máquinas.

 

 

Gémeos digitais: a próxima geração dos cuidados de saúde

Em destaque estarão também os gémeos digitais, uma tecnologia que combina imagiologia, genómica, patologia, dados de estilo de vida e monitorização em tempo real, e que o DSL demonstrou recentemente ser uma mais-valia no apoio a cirurgias e no planeamento assistido por IA.

"Os gémeos digitais estão prestes a tornar-se numa das tecnologias determinantes da próxima geração dos cuidados de saúde. À medida que evoluem para integrar continuamente dados multimodais dos doentes, têm o potencial de transformar todo o percurso clínico", sublinha Tiago Marques, colíder do DSL e coorganizador do evento.

Hackathons abertos a profissionais sem experiência em programação

Em colaboração com o Google AI Studio, os Google Medica AI Hackathons desafiam os participantes a desenvolver soluções baseadas em IA para problemas clínicos reais, com o acompanhamento de mentores experientes. O melhor projeto terá a oportunidade de ser apresentado na conferência. Não é necessária qualquer experiência em programação, um sinal do compromisso da organização em tornar a inovação em IA acessível a todos os profissionais de saúde.

Oradores em destaque

  • Lucien Engelen, 10h00, CEO da Transform.health: "Healthcare's copernic moment"
  • Yipeng Sun, 11h15, AI & Digital Solutions Regional Head da United Imaging Healthcare: "Digital hospitals in China"
  • João Eurico Fonseca, 14h30, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa: "Digital Academy by Lisbon School of Medicine"
  • Joana Carrasqueira, 15h50, gestora de produto do grupo na Google DeepMind: "Google AI Studio: How vibe coding is rewriting the rules in healthcare"
  • Andrea De Censi, 17h30, diretor do Departamento de Mama da Fundação Champalimaud: "Treating risk before breast cancer exists: The new age of prevention"

Sobre a conferência

Organizada pela Fundação Champalimaud, a Medica AI The Conference 2026 inclui um dia completo de conferência científica, dois hackathons, debates interativos e momentos de networking, promovendo a colaboração entre a prática clínica, a investigação, a tecnologia e as políticas de saúde. O programa conta com especialistas de instituições como a Google DeepMind, a Google Cloud, a Sword Health, a UpHill, a Universidade de Maastricht, a Universidade de Genebra e a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

O evento conta com o apoio dos parceiros da Fundação Champalimaud: Real Life Technologies, Viatris, Licor Beirão, Google Cloud, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Novartis, Grupo Simoldes e Delta Cafés.

Com os olhos postos em 2050, a Medica AI convida os participantes a ajudar a moldar um futuro em que a inteligência artificial permita melhores cuidados, sistemas de saúde mais robustos e melhores resultados para os doentes em todo o mundo.

 

 

 

Info: PressRelease

Voltar para o blogue