
Março assinala o mês de sensibilização para o cancro colorretal e, em Portugal, os dados continuam a exigir a nossa atenção: são diagnosticados cerca de 10.000 novos casos por ano. O número impressiona, mas o verdadeiro perigo reside na forma como a doença evolui. Muitas vezes, este tipo de cancro desenvolve-se em silêncio, sem dor e sem sinais claros, sendo precisamente essa ausência de sintomas que adia decisões.

Março assinala o mês de sensibilização para o cancro colorretal e, em Portugal, os dados continuam a exigir a nossa atenção: são diagnosticados cerca de 10.000 novos casos por ano. Imagem: Freepik
É neste contexto que surge uma iniciativa fundamental para a saúde pública em Lisboa: o rastreio do cancro colorretal está agora disponível, de forma gratuita, nas farmácias comunitárias. A lógica é simples e eficaz, retirando o acesso exclusivo ao circuito hospitalar para o integrar num ponto de contacto muito mais próximo e familiar. O processo é direto e sem complicações: basta fazer a inscrição numa farmácia aderente, levantar o kit, realizar a recolha em casa e entregar a amostra na mesma farmácia, recebendo depois o resultado de forma digital e confidencial. Sem deslocações hospitalares, sem listas de espera e sem barreiras adicionais, o rastreio torna-se finalmente acessível a quem mais precisa.

Falar de cancro colorretal em março não deve ser apenas um exercício de calendário; deve ser o mote para entrar numa farmácia e dizer: “Quero fazer o rastreio.” Foto: Freepik
Importa, no entanto, clarificar o essencial: rastrear não é "procurar doença", é ganhar tempo. O rastreio baseia-se na deteção de sangue oculto nas fezes, um teste simples e não invasivo que permite identificar sinais precoces ou lesões pré-cancerígenas, muitas vezes antes de qualquer sintoma se manifestar. E aqui, o tempo muda tudo. Quando detetado precocemente, este cancro apresenta taxas de sobrevivência superiores a 90%, um valor que reduz drasticamente em fases mais avançadas.
A campanha dirige-se a pessoas entre os 45 e os 74 anos, sem sintomas gastrointestinais e sem fatores de risco elevados. Ou seja, foca-se precisamente naquelas pessoas que se sentem bem. É aqui que a literacia em saúde se torna crucial: a ausência de sintomas não é um critério de exclusão, é o momento ideal para agir. Falar de cancro colorretal em março não deve ser apenas um exercício de calendário; deve ser o mote para entrar numa farmácia e dizer: “Quero fazer o rastreio.” Proteja a sua saúde e não deixe para amanhã o que pode detetar hoje.
