
No dia 22 de junho, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), foi assinado um memorando de entendimento com a Breast Cancer in Young Women Foundation (BCYWF), dos Estados Unidos, dando origem ao polo português de um instituto internacional dedicado a estudar as origens biológicas mais precoces do cancro da mama em mulheres jovens.
A cerimónia juntou o Prof. Luís Costa, que assume a direção do polo de Lisboa, o Dean da FMUL, Prof. João Eurico da Fonseca, e o Prof. Rakesh Kumar, fundador da BCYWF e diretor científico do Young Women's Breast Cancer Research Institute (YWBCRI). Seguiram-se conversas informais com estudantes e docentes, o tipo de momento onde a investigação muitas vezes ganha forma.
O YWBCRI parte de uma hipótese que vale a pena explicar com calma: a de que o cancro da mama de início precoce pode não começar no tumor. Pode começar muito antes, numa série de processos biológicos normais que, por razões que ainda não se compreendem bem, começam a falhar. É essa janela anterior ao diagnóstico, o tecido, o tempo biológico, os sinais sistémicos que o instituto quer mapear.
Faz sentido que seja precisamente a mulher jovem o centro desta pesquisa. É nela que o diagnóstico chega muitas vezes tarde, disfarçado por tecido mamário denso; é nela que o tumor tende a comportar-se com mais agressividade; e é nela que o cancro colide com fertilidade, gravidez e décadas de sobrevivência ainda por viver, décadas que exigem vigilância, e uma vida pouco pacifica.

Na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa foi assinado um memorando de entendimento com a Breast Cancer in Young Women Foundation (BCYWF), dando origem ao polo português de um instituto internacional dedicado a estudar as origens biológicas mais precoces do cancro da mama em mulheres jovens.
Prof. Kumar resumiu a distinção entre sensibilização e investigação numa frase curta: a sensibilização diz que o cancro pode acontecer; a investigação tem de explicar porque acontece, quando começa, e como isso pode mudar o que vem a seguir. É essa segunda parte, o "como mudar", que o polo de Lisboa vem reforçar, juntando-se a uma rede que já liga ciência, clínica e academia em quatro localizações internacionais.
Para quem acompanha o percurso oncológico de perto e sabe que ele não termina no fim do tratamento, que se prolonga em efeitos tardios, em vigilância, este tipo de notícia interessa por uma razão simples: cada instituto que estuda a biologia mais precoce da doença é também um instituto que, mais tarde, pode ajudar a detetar mais cedo, intervir mais cedo, e poupar a quem vier depois algum do caminho mais duro. Não resolve nada hoje. Mas é nesta direção, biologia antes do tumor, dados antes do sintoma que se constrói deteção precoce a sério. Que sorte termos a ciência a nosso favor.
Portugal entra agora formalmente nesta rede. Vale a pena seguir este precurso.
Fonte: comunicado EIN Presswire, 23 de junho de 2026.
