A Telma leva a peito - e tu?

A Telma leva a peito - e tu?

Uma fotógrafa passa a vida atenta aos pormenores e a guardar os momentos dos outros antes que se percam. Telma Potra fotografava um batizado quando percebeu que alguma coisa não estava bem. A cliente que a conhecia há anos reparou no seu cansaço. À hora de almoço, ao pousar a máquina, a Telma sentiu um nódulo na mama. Terminou o trabalho até ao fim mas a cabeça já não estava ali.

Nesse mesmo dia ligou a uma amiga enfermeira. Foi ela quem lhe indicou o caminho mais rápido até uma consulta e foi isso que a salvou, garante a Telma. Quando chegou a confirmação de que tinha cancro da mama, quis perceber tudo: que tratamento ia fazer, quanto tempo ia durar e o que viria depois. "Fui muito curiosa, quis sempre saber tudo", afirma.

Uma rede que nunca falhou

Sabia também que não queria atravessar aquele tempo sozinha. Juntou as pessoas mais próximas num grupo no WhatsApp e deu-lhe um nome que dizia tudo: Juntas na Luta. Os dias passaram a começar com uma mensagem de bom dia e a encher-se de pequenas perguntas sobre se já tinha almoçado ou se tinha conseguido descansar. Nos dias mais difíceis havia sempre alguém que aparecia. Uma dessas amigas chegou a fazer a pé o caminho até Fátima por ela enquanto a Telma estava no hospital a fazer tratamento.

Um novo olhar pela objetiva

Fotógrafa há dezessete anos, diz que hoje olha pela objetiva com outra emoção. Acredita que o sonho comanda a vida e há quem lhe diga que as fotografias que tira agora têm mais amor do que antes. Da experiência que viveu deixa também um alerta: sobre o cancro circula muita desinformação e vale a pena procurar fontes em que se possa confiar. Tudo o resto resume-o numa frase: "Não é um diagnóstico que nos define. Nós é que nos definimos a nós."

Durante anos a Telma esteve atrás da câmara a contar as histórias dos outros. Agora é ela quem está do outro lado.

Vê o vídeo e ouve a sua história. A Telma leva a peito. E tu?


Este artigo foi útil para si?

Sim Não
Voltar para o blogue