A Rita leva a peito - e tu?

A Rita leva a peito - e tu?

Há quem chegue ao diagnóstico sem saber o nome de nada. Rita Revés chegou a conhecer todas as palavras. Enfermeira com anos de trabalho em cuidados intensivos, esteve muitas vezes ao lado de mulheres com cancro da mama. Sabia o que se passava com elas, o que as esperava e o que nem sempre se dizia em voz alta. Quando o diagnóstico passou a ser o seu, achou que saber tanto ia pesar-lhe. Com o tempo percebeu que o conhecimento não chegava e que, agora do outro lado, ainda precisava de saber mais.

Levou sempre perguntas à equipa que a acompanhava e fez questão de conhecer todos os caminhos possíveis antes de escolher um. "Sempre gostei muito que me dissessem todas as possibilidades. Há isto para fazer, há aquilo para fazer, então vamos decidir em conjunto.", relembra. Quando surgiram duas opções igualmente válidas para iniciar o tratamento, disse qual a deixava mais confortável e foi ouvida. Desde então as perguntas seguem sempre com ela, escritas. Nas vezes em que não as levou, houve coisas que ficaram por dizer.

Passo a passo, mesmo à chuva

Longe dos corredores do hospital, a vida da Rita faz-se no Fundão ao lado do marido e dos filhos, na terra para onde um dia se mudou. Foi precisamente durante os tratamentos que aprendeu a gostar dela de verdade. Saía para correr mesmo nos dias de quimioterapia, debaixo daquela chuva miudinha que o inverno traz à Beira. Era assim, com o frio no rosto e o corpo em movimento, que sentia que estava viva e que cada momento valia a pena.

Depois dos tratamentos

Sobre o que vem a seguir, não tem certezas nem finge ter. "Não consigo ter respostas para tudo, e também vou aprendendo a viver com isso.", afirma. O que leva a peito é outra coisa: que se olhe para a qualidade de vida depois dos tratamentos e para a fase da sobrevivência. É o tempo em que para todos à volta tudo parece ter passado, e em que a mulher ainda procura espaço para se reconstruir.

A Rita passou a vida a cuidar dos outros e aprendeu pelo caminho a pedir que cuidassem dela. Agora é a vez de a ouvirmos.

Vê o vídeo e conhece a sua história. A Rita leva a peito. E tu?

 

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