A Carina leva a peito - e tu?

A Carina leva a peito - e tu?

Há notícias que esperamos receber sentadas num consultório, com alguém à nossa frente e tempo para respirar. Carina Morazzo soube que tinha cancro da mama de outra forma. Estava no aeroporto, com a mala feita e a cabeça numa das suas muitas viagens, quando o relatório dos exames lhe chegou ao telemóvel. Leu termos médicos que nunca tinha visto, procurou respostas ali mesmo entre anúncios de embarque e enviou tudo à médica. Depois restou-lhe esperar. Foi nessa espera que levar a peito deixou de ser apenas uma expressão e passou a ser algo que se vive no próprio corpo. Até ouvir a confirmação, nada parecia real. "Enquanto a minha médica não me disse “sim, Carina, é cancro da mama”, tudo aquilo que eu li na internet ainda não era bem verdade.", relembra.

Um caminho que não escolheu

A vida da Carina sempre se fez ao ar livre. Cresceu numa quinta perto da Serra de Sintra e nunca deixou de precisar de espaço e de natureza à sua volta. Percorreu a pé o Tour du Mont Blanc, andou de caiaque e guiou caminhadas por Lisboa, a cidade que sente como sua. Quando viaja, não procura apenas lugares para ver: procura viver o dia a dia de quem lá mora. O diagnóstico levou-a para um caminho que nunca tinha escolhido percorrer. Para encontrar forças pensou nos avós. Também eles tinham passado por tratamentos numa época em que o acesso aos cuidados de saúde e os recursos da medicina eram muito diferentes dos de hoje. Ainda assim, ambos viveram até aos noventa anos. Esse exemplo tornou-se para a Carina uma forma de acreditar.

Um diário de perguntas

No hospital deram-lhe um diário com duas secções: uma para as perguntas que queria fazer à médica e outra para as respostas que ia recebendo. A Carina passou a levá-lo para todo o lado, de consulta em consulta, e foi com ele que aprendeu a organizar as dúvidas e a não deixar nada por perguntar. Hoje não finge que o medo desapareceu, nem acha que tenha de desaparecer. "É legítimo ter medo e ter receios", afirma. O que aprendeu é também aquilo que esta campanha quer lembrar: informar-se, perguntar e ser ouvida faz parte do cuidado. Por isso faz todas as perguntas, mesmo aquelas que ninguém se atreve a fazer primeiro, "para que esses medos fiquem mais pequeninos. Eles ficam sempre lá, mas que sejam muito pequeninos e escondidos.".

A Carina fez do diário um companheiro de viagem e das perguntas um caminho. Agora é a vez de a ouvirmos.

Vê o vídeo e conhece a sua história. A Carina leva a peito. E tu?

 

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